Cabo Espichel

Sou um apreciador e defensor das nossas tradições, daquilo que fazemos como ninguém e então desta vez, pela serra da Arrábida a caminho do seu extremo, fui por Azeitão, ou melhor, Vila Nogueira de Azeitão à procura das famosas tortas.

Tinha visto uma publicação que realçava a “Pastelaria Cego”, com mais de um século de existência, como rainha das tortas. Lá a encontrei naquela pacata vila mas, por pouca sorte, era uma terça-feira de Agosto, dia de descanso semanal. Não faltam casas comercias a recomendar as suas tortas como as realmente verdadeiras e as mais saborosas.

Duas senhoras já de madura idade, com sacos de compras, iam conversando enquanto caminhavam – bom dia, podem aconselhar-me uma casa de tortas, uma vez que o “Cego” hoje está fechado; olhe não há duas casas com as tortas iguais e as da “Pastelaria Cego” são, na verdade, as que mais se vendem, no entanto, tem aqui dois estabelecimentos em que são de boa qualidade. Entrei naquele que me pareceu melhor e toca a provar o bolo de ovos-moles e canela.

Não, sinceramente, ficou bastante aquém do esperado. Confesso que doçaria, em geral, não é o que mais aprecio, mas as tortas de Azeitão não ficarão na minha memória.

Paragem agora no castelo de Sesimbra, num cume da Arrábida, com uma vista excepcional sobre o mar e o litoral. Foi construído pelos muçulmanos no século IX e abrigou intramuros uma povoação até ao século XVI.

Sesimbra vista do Castelo

Continuo por Azóia até ao Cabo Espichel que era o destino desta visita.

O farol sobressai mesmo na extremidade do Cabo nos seus 32 metros de altura. Embora isolado mostra-se altivo, com um torreão metálico pintado de vermelho, rasgado pelas vidraças por onde se projecta a luz.

Farol

Foi construído em 1790 e sendo actualizado consoante os tempos. Começou com candeeiros a azeite, depois a petróleo e, finalmente, iluminação eléctrica.

Quanto ao património edificado, sobre a falésia ergue-se a Ermida da Memória, com uma cúpula de inspiração moura e ligada à lenda milagrosa da imagem da Virgem que dera ao cabo. Estava fechada pelo que só lhe conheço as paredes.

Ermida da Memória

Por via do crescente número de peregrinos que ali acorria, construiu-se o Santuário de Nossa Senhora do Cabo e as hospedarias em duas bandas paralelas.

Santuário de Nossa Senhora do Cabo

A igreja é de estilo sóbrio, robusto. Não é permitido fotografar o interior pelo que me lembro de uma bela pintura no tecto da Assunção da Virgem.

Cabo Espichel

Sendo um local de romagem de crentes, vi com uma certa curiosidade um pastor de ovinos que ali trouxe o rebanho a apascentar. Ainda eram umas largas dezenas de animais. Enfim, a nossa ruralidade e ancestralidade bem presentes.

Rebanho no Cabo Espichel

 

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Cabo da Roca

A decisão estava tomada – pelo distrito de Lisboa mas, sem entrar na capital. No Oeste e Vale do Tejo, ali pelas Linhas de Torres.

O alojamento foi na Praia de Porto Novo, freguesia de Maceira em Torres Vedras. Belíssimo local, pegado à bem conhecida praia de Santa Rita e com muita história nas Invasões Francesas, ali ocorreu um desembarque de tropas.

Iniciei a viagem para o Cabo da Roca, em Colares, Sintra. Passei a Ericeira, um pouco mais adiante em S. João das Lampas, reparo numa placa pequena com a indicação Janas. Este local tinha-o referenciado por causa de uma capela com uma configuração rara. Faço o desvio e encontro a Capela de S. Mamede de Janas de planta circular.

Capela de S. Mamede

Estava fechada, mas ainda assim consegui espreitar o interior e até fotografar através do vidro.

É um templo rural, dedicado à deusa da caça, Diana, ladeado por um amplo átrio saloio e ligado à bênção do gado, que acontece todos os anos em meados de Agosto, pois S. Mamede é o protector dos animais.

Capela de S. Mamede

E agora? Não posso ir mais? “Aqui onde a terra se acaba e o mar começa”, escreveu o nosso Camões. É o Cabo da Roca!

Obelisco do Cabo da Roca

Finisterra do mundo antigo e ponto mais ocidental da Europa continental, está quase a 150 metros de altitude, na ponta da serra de Sintra. É um promontório excepcional e dali se contempla um vasto e belo panorama. A norte e ao longe o casario da Ericeira, a sul o cabo Raso.

Cabo da Roca

O Farol do cabo da Roca data da segunda metade do século XVIII e é um ponto crucial para assinalar aos mareantes a aproximação a Lisboa.

Farol do Cabo da Roca

É conhecido pelas gentes humildes do mar como “Focinho da Roca” ou, mais poeticamente por “Promontório da Lua”.

Este é mais um local, com as íngremes arribas, do nosso belo Portugal a ser visitado e admirado.

Cabo da Roca

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Tributo ao Clube dos Avós por Fernando Barbosa

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Alcobaça

Cheguei a Alcobaça ao fim da tarde, num dia de calor em Agosto de 2009, vindo de Lisboa.

Depois do burburinho da capital que bem me senti naquela terra tranquila, sem pressas, atravessada pelos rios, de pouco caudal, Alcoa e Baça que se reúnem no rio Alcobaça.

Foi uma noite no Hotel Santa Maria, mesmo encostadinho ao terreiro do Mosteiro, alojamento agradável em quarto espaçoso com as comodidades necessárias e um bom pequeno-almoço. A minha nota pessoal para os hotéis leva muito em consideração a primeira refeição do dia. Não deixo de notar que, de uma forma geral, os hotéis portugueses servem bem aquele ligeiro repasto.

Alcobaça praticamente gira à volta do Mosteiro. Num ponto alto, em frente, fica o castelo. A encosta tem construções até à frente do monumento e ali se estendem as lojas comerciais e os restaurantes.

Aconselharam-me o restaurante António Padeiro, uma casa com tradição, fundada nos anos 30 do século passado. Saboreei um frango na púcara, prato tradicional desta terra. É um hábito conhecer a gastronomia local quando visito sítios que têm essa tradição. A cozinha portuguesa merece nota máxima e então há cada petisco por esse Portugal fora… Bom, continuemos a narrativa.

A visita ao Real Mosteiro de Alcobaça foi deliciosa ou não fosse eu amante do património em geral e do religioso em particular.

Doou D. Afonso Henriques em 1153, um couto que cobria 44 hectares, entre o Atlântico e a serra dos Candeeiros. Iniciou-se a construção em 1178 e prolongou-se por quase um século, o que se entende devido à dimensão desta obra.

A sobriedade presente neste edifício é condizente com os valores dos monges de Cister, já as dimensões são impressionantes – a igreja tem 19,2 m de altura e 17,22 m de largura.

Embora seja uma obra de arte gótica a frontaria da igreja é do estilo barroco com as remodelações de 1702. Na parte superior, entre as torres sineiras, num nicho está a imagem de Santa Maria, padroeira de Alcobaça e “mãe dos cistercienses”.

É no Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça que jazem os amantes medievais D. Pedro e Inês de Castro como que em união eterna.

Os túmulos em rendilhado são artisticamente excepcionais e ambos com estátuas jacentes. Pena é que as tropas francesas, aquando das invasões, os tenham mutilado na ânsia de aí encontrar algo valioso.

No reinado de D. Dinis foi construído o Claustro do Silêncio, pois que não era permitido falar ali, por razões de ordem espiritual. De realçar as colunas de onde saem os arcos quebrados e de volta perfeita – é o maior claustro de arquitectura gótica nacional.

Ainda espreito a Sala do Capítulo e daqui passo para a Sala dos Reis com belos azulejos do século XVIII que contam a história da fundação do mosteiro.

Pelas paredes estão as estátuas dos reis de Portugal até D. José, executadas em terracota pelos monges. E que bom verificar que ali não estão representados os Filipes.

O dormitório em sala ampla. Os monges de Cister não admitiam celas individuais.

Além do refeitório há ainda a grande cozinha, mas que enorme chaminé! Até inspirou o arquitecto Souto Moura na casa das histórias Paula Rego.

Foram ao longo de séculos os monges de Cister os grandes dinamizadores desta terra, não só no lado espiritual, mas também no trabalho agrícola, na actividade caritativa e intelectual. Tornou-se famosa, no Portugal medieval, a biblioteca de Alcobaça.

A Real Abadia de Santa Maria de Alcobaça está classificada Monumento Nacional desde 1907 e Património Mundial da Humanidade pela UNESCO em 1989.

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Um Fim de Semana em Lisboa ( 2.ª Parte )

Este dia foi passado junto ao rio Tejo, na zona de Belém.

Comecei bem, logo cedinho – um pastel de belém e um café. Continuava o calor e a jornada prometia ser longa. Esta casa dos pastéis de belém tem quase dois séculos de existência e umas iguarias divinais.

Uma espreitada ao Palácio que é residência oficial do presidente da República, com os dois sentinelas a fazerem o seu serviço, um de cada lado da entrada. Como não tinha previamente agendada visita ao mais alto magistrado da nação, fiquei-me por perto da guarda e ali no passeio a fazer umas fotografias.

São muitos autocarros com turistas estrangeiros, os guias com amplificadores de som a juntar o seu grupo. O francês, o inglês e o espanhol são comuns naqueles lugares e outros idiomas menos decifráveis. Eles são adultos jovens, outros com mais idade, alguns mesmo já no declinar da vida, mas o interesse pelo que é belo, excepcional e singular atrai todos. Estou frente a frente com a jóia maior da coroa – o Mosteiro dos Jerónimos.

            Um século que demorou a construção, mas em boa hora o rei D. Manuel, em 1495, a ordenou. Naquele lugar já existia uma capela em honra de Santa Maria que daria protecção aos navegadores que dali partiam, mas, a pedido do rei à Ordem de Cristo, o local foi cedido.

            Este monumento representa a era dourada dos Descobrimentos, a glorificação do poder imperial e a dimensão que Portugal teve nesses idos de quinhentos e seiscentos – a vanguarda da Europa.

Serve de panteão a ilustres portugueses. Ali repousam, entre outros, Alexandre Herculano na sala do capítulo, Camões e Fernando Pessoa.

            O Mosteiro dos Jerónimos está classificado Monumento Nacional e, desde 1983, Monumento da Humanidade pela Unesco.

Do alto dos seus 50 m de altura, consegue-se uma vista excelente sobre Belém e o Tejo, é no miradouro do Padrão dos Descobrimentos que me encontro.

Este monumento sugere uma caravela, com a base em forma triangular e uma proa de um navio onde estão as estátuas dos heróis das descobertas. Em primeiro o infante D. Henrique, seguido por mais 32 figuras, entre as quais Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, Fernão de Magalhães e Luís de Camões. No pavimento à entrada está desenhada uma enorme rosa-dos-ventos, em mármores de vários tipos, que se vê e entende bem lá de cima do miradouro.

Do Centro Cultural de Belém pouco tenho a dizer, uma vez que me limitei a pequenas incursões nos átrios de entrada. É realmente de uma enorme volumetria, atravessado por arruamentos internos que facilitam a circulação.

Para terminar vou para a Torre de Belém.

Não é uma construção defensiva tradicional, embora fizesse a defesa da barra do Tejo, representava a magnificência do poder real.

Edificada entre 1515 e 1519, no reinado de D. Manuel, é toda de estética manuelina, sob a orientação do mestre Francisco Arruda especializado em arquitectura militar. Os fundos, que seriam os paióis, funcionaram muito tempo como masmorras. Sobressai a elegante torre de menagem com quatro andares, sendo que o terceiro é circundado por uma trabalhada varanda. No último, um terraço com ameias, tem uma guarita em cada canto. È uma obra de elevada coerência formal.

A Torre de Belém está classificada Monumento Nacional e também Monumento da Humanidade pela Unesco.

Passei agradavelmente este fim-de-semana na capital, andando bastante, com curiosidade e empenho. Da próxima vez percorrerei outras locais de interesse, pois há muito para ver em Lisboa.

Mesmo sendo um homem do Norte e muito bairrista, enalteço a nossa capital, a sua alegria e vivacidade.

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Um Fim de Semana em Lisboa (1.ª Parte)

Das diversas vezes que visitei Lisboa, fi-lo quase sempre de forma improvisada e desorganizada, utilizando muito o automóvel. Ora aí está um meio de transporte que se deve evitar numa grande cidade que não se conhece bem, mas que se deseja aproveitar para ver o que ela tem e a torna diferente.

Andei muito a pé e nos transportes públicos e segui um plano previamente definido. Só me lembro de uma vez ter feito uma visita minimamente planeada e já lá vão 13 anos – foi à Expo 98. Foram três dias memoráveis na capital. Quem sabe venha ainda a encontrar no baú alguma coisa relacionada com esses momentos e recorde aquela exposição mundial. Muita má-língua ouvi daquele evento, aqui no Norte, principalmente dos que não foram lá – esses sim, como de costume, os piores bota-abaixo.

Chiado, Armazéns Grandela, rua do Carmo e um café na Brasileira ali na companhia do Fernando Pessoa, que tinha convidado outros poetas, entre eles o Álvaro de Campos e o Ricardo Reis que estavam bem dispostos e conversadores. Tenham paciência quero ver muita coisa, da próxima falaremos mais tempo – disse-lhes eu apressado, já com a máquina fotográfica apontada para o elevador de Santa Justa.

Embora relativamente recente o Carmo guarda uma das páginas mais fortes na nossa história contemporânea – a vitória dos capitães na revolução de 25 de Abril de 1974. Ali no terreno, entre outros, o corajoso capitão Salgueiro Maia à frente da Companhia de Cavalaria com os carros de combate, viria a conseguir a rendição do chefe do governo deposto, Marcelo Caetano.

O edifício evidencia os grandes estragos que o terramoto de 1755 lhe causou.

Sobre a igreja do Convento do Carmo, ergueu-se por vontade do Condestável D. Nuno Álvares Pereira que em 1404 lhe doou os seus bens e, em 1423, ele mesmo entrou no convento como religioso, tomando o nome de Frei Nuno de Santa Maria. Passados 600 anos e após a sua canonização, sabemos hoje que a igreja católica lhe atribui o nome de S. Nuno de Santa Maria.

Está classificada como Monumento Nacional.

Utilizo agora o elevador de Santa Justa para descer e sair na baixa e toca a andar até ao castelo. Foi no Verão, os turistas são muitos, a entrada foi demorada e o calor começou a apertar. As sombras contavam uma elevada “densidade populacional” por aquelas bandas. Enfim dentro de muralhas! Não há dúvida que os nossos antepassados eram extremamente cuidadosos na escolha dos locais de defesa. Daquela colina vê-se uma imensidão, atinge-se quase outro meridiano.

Antes de mais, confesso que muito gosto de castelos – sou um apaixonado por história – e o Castelo de S. Jorge a dominar toda a colina, carregado de momentos altos de patriotismo é o melhor local para passar as próximas horas. Subi, desci, avancei, recuei, andei e vim dar ao mesmo sítio. Alto! agora vou almoçar. É bom poder refrescar um pouco, eram 35 graus de temperatura. Ora convenhamos que para um homem do Porto tudo que vai acima dos 25 já parece um churrasco.

Já fora das muralhas passei à casa onde viveu o poeta Ary do Santos e um pouco mais abaixo o prédio onde nasceu outro poeta, o António Gedeão.

Vou apreciar a Sé de Lisboa que é quase logo a seguir. Antiquíssima, seria anteriormente uma mesquita, aliás as escavações demonstram que houve alguma construção antes de D. Afonso Henriques ordenar que se erguesse o templo.

Está classificada Monumento Nacional.

A próxima paragem, mesmo não tendo tanta ancestralidade nem tantos pergaminhos, também é rica para a cidade – a Pastelaria Suíça, no Rossio, um ex-líbris de apreciação obrigatória.

Daqui ao Terreiro do Paço, rua Augusta fora, é um tirinho.

Mesmo com odores irrespiráveis junto ao rio, continua a ser interessante a passagem por esta zona da cidade.

Lá fiz um aceno ao ministro que passava, também correspondido pelo secretário de estado. O que ia ao lado, muito concentrado na conversa nem ligou – presumo que fosse algum daqueles influentes chefes de gabinete. Chefe é chefe!

No Martinho da Arcada a ementa não era muito sugestiva, valeu por sentir que o poeta Fernando Pessoa ali passava muitas horas. Cigarros, algum álcool e papel, muito papel para as escritas.

Bom, para terminar da melhor maneira um dia cansativo, nada como ir ao futebol. À noite, fui então assistir a um bom jogo, de estádio cheio e muitas vibrações. É o meu desporto favorito e já que estava na capital não podia perdê-lo.

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Por Terras do Varosa (Parte II)

Há ainda duas freguesias de Tarouca com grande valor patrimonial e turístico e que foram incluídas no projecto das “Aldeias Vinhateiras do Douro”, implementado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte.

Ucanha é a primeira das duas que visito e pelo caminho vejo as Caves da Murganheira onde se produz um belíssimo espumante – nunca o bebi em demasia mas, já o suficiente para o sentir a aconchegar a alma. Mesmo à entrada da aldeia está um pequeno gabinete em madeira, bem de acordo com a ancestralidade da terra, que dá apoio aos visitantes. Logo a jovem Arlete me guiou à Ponte e Torre fortificada de Ucanha, sobre o rio Varosa e exemplar único em Portugal.

A torre no último piso e em cada um dos seus alçados apresenta matacães com ranhuras, por onde os guardas atiravam azeite a ferver a quem não pagasse os direitos de portagem de entrada no couto do mosteiro de Salzedas. Esta foi uma das principais fontes de rendimento da povoação até aos princípios de século XVI, quando D. Manuel extinguiu aqueles direitos.

Uma ponte assim fortificada mostrava todo o poder senhorial dos abades de Salzedas.

O tabuleiro da ponte é em cavalete, assente em cinco arcos quebrados com o central bem maior que os outros.

A torre tem cerca de 20 m de altura, está numa extremidade do tabuleiro e forma um arco por onde transitavam as pessoas e as suas mercadorias. Num dos lados surge encimado por um nicho com a imagem de Nossa Senhora e ladeado por uma inscrição gótica.

A ponte deve ter sido primitivamente construída no século XII. Em 1456, de acordo com uma lápide presente no monumento, procedeu-se à reedificação da ponte e à construção da actual torre.

Está classificada Monumento Nacional desde 1910.

Não deixei Ucanha sem comprar uma compota à D. Maria Adelaide, que também vende chás para todos os males e o doce de baga de sabugueiro, que diz fazer muito bem às anemias e situações de fraqueza.

Logo à frente um pouco está Salzedas, outra das “Aldeias Vinhateiras do Douro”, onde é bem evidente a judiaria, mas as principais atracções são a Igreja e o Convento de Santa Maria de Salzedas.

A frontaria da igreja é sóbria, mas imponente. O interior não esconde o passar do tempo, mas mantém a planta medieval de três naves e transepto.

O convento cisterciense, concluído em 1225, viria a ser o segundo maior daquela Ordem, depois do de Alcobaça. Gozou de grande riqueza e prestígio, tendo sido adoptado como panteão por uma grande parte da nobreza da Beira Alta e do Alto Douro.

Classificados Imóvel de Interesse Público desde 1978.

A intervenção no âmbito das Aldeias Vinhateiras deu mais cor às ruas das aldeias, com as varandas a sobressaírem, as paredes das casas bem tratadas, há mais alegria no exterior, tudo de cara lavada.

Este périplo que fiz por Tarouca, além de agradável, trouxe coisas belas e novas aos meus olhos que achei devia partilhar com os outros e incentivar a conhecer o nosso esplêndido Portugal.

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Por terras do Varosa (Parte I)

Não sei se escreva Varosa ou Barosa, pois já o vi das duas formas. Sem qualquer preferência ou conhecimento da designação correcta, neste texto vou tratá-lo por Varosa.

É este rio que domina o vale do concelho de Tarouca, cidade que pertence ao distrito de Viseu, província da Beira Alta e dista do Porto cerca de 140 km e de Viseu uns 70 km.

Passa o caudal do Varosa pelo “Vale Encantado”, área muito fértil. É na serra de Leomil, a sudeste de Tarouca, que nasce este rio.

Esta foi uma viagem a locais que há muito desejava conhecer, incluídos alguns na rota das “Aldeias Vinhateiras do Douro” e ricos em história e património.

Aqui edificaram os monges de Cister, mosteiros, conventos e abadias, após a reconquista aos mouros, em 1057, por Fernando Magno.

Na parte antiga sobressai a igreja de S. Pedro, matriz de Tarouca, construída, provavelmente, entre os séculos XIII e XIV, mas com muitas alterações posteriores. No entanto, a estrutura base é românica com elementos arquitectónicos góticos.

Está classificada Imóvel de Interesse Público desde 1948.

Já estou agora nas alturas – nem mais nem menos, 1100 metros de altitude. Miradouro impressionante este da serra de Santa Helena, com todo o vale do Varosa aos meus pés!

A ermida, uma construção antiga, muito descaracterizada por obras de remodelação, é local de culto de muitos e muitos crentes no segundo Domingo de Julho. Tem um grande recinto para celebração das cerimónias religiosas e um convidativo parque de merendas e, claro, fruto dos novos tempos, os aerogeradores, com as hélices a rodar ao sabor do vento.

Na descida faço ainda duas paragens, uma na pequena capela em honra da Senhora de Fátima e aproveito para mais umas fotos que repetirei no miradouro da Padiola.

Chego por fim a S. João de Tarouca e deparo com as ruínas do convento ao lado da conservada igreja. Trata-se das primeiras construções cistercienses no nosso país – século XII – e que viriam a ser as mais importantes do Norte.

O convento viveu épocas de prosperidade e no século XVIII chegou a albergar mais de 40 religiosos. Fizeram-se intervenções arquitectónicas na fachada e dependências.

Todavia, com a extinção das ordens religiosas em 1834, veio o abandono. A população foi desmantelando o velhinho convento e assim aproveitar a pedra para as suas construções.

A igreja tem uma frontaria com alterações setecentistas mas, originalmente, mantém a rosácea, uma porta em arco quebrado entaipada e quatro contrafortes.

O interior é de decoração barroca. As naves laterais apresentam capelas abertas em arcos ogivais. Na parede direita, na parte superior, está um majestoso órgão de caixa em talha dourada.

No transepto sobressai o enorme túmulo de D. Pedro, filho bastardo de D. Dinis.

A capela-mor tem retábulo de talha dourada e as paredes revestidas por interessantes painéis azulejares setecentistas, narrando a fundação do mosteiro.

A igreja e o convento de S. João de Tarouca estão classificados Monumento Nacional.

Hei-de voltar a Tarouca e à serra de Santa Helena, eu lá sei porquê…

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Porto I

Hoje vou falar da “minha cidade” – o Porto.

A minha linda cidade que tantas vezes é associada ao Futebol Clube do Porto, o que acho uma verdadeira injustiça, por isso hoje vou falar da CIDADE do Porto.

E com tantos cantos e recantos para calcorrear, ver e admirar. Lamento que esteja “ao abandono”, com casas desabitadas, degradadas e ainda pior “grafitadas”. Mas apesar de tudo, vale a pena visita-la!

Este é apenas um percurso para efectuar calmamente no decorrer de um dia, nada de mais, tirem um dia e dediquem-se a conhecer a bela cidade Invicta.

Então por onde começar esta visita?

Logo pela manhã que tal tomar um cafézinho numa esplanada da ribeira, na Praça da Ribeira junto à fonte do Cubo, virada para a cidade de Gaia.

Terminado o cimbalino vamos á cultura! Subimos pela Rua da Alfandega e aí encontramos a magnifica Casa do Infante – a visitar.

É um dos edifícios mais antigos da cidade do Porto, terá sido aqui que nasceu o Infante D. Henrique.

O edifício da velha Alfândega está intimamente ligado à figura do Infante D. Henrique que, segundo a tradição, terá nascido neste local, em 1394. A origem portuense do Infante D. Henrique é conhecida através do cronista Fernão Lopes. No Arquivo Histórico Municipal do Porto existe o documento com as despesas efectuadas durante as festas do seu baptizado, em 1394. A ligação do nascimento do Infante a este edifício entronca numa tradição popular.

Existe actualmente dentro da Casa do Infante um circuito de visita museológico que ilustra a história do local, desde a ocupação romana, com recurso a aplicações multimédia e a uma maqueta interactiva representando o Porto Medieval.

Entretanto a hora de almoço vai-se aproximando e vamos então até à Rua Afonso Martins Alho, à Adega do Olho”.

A Adega do Olho, é pequena e aconchegada, a comida caseira é divinal. Da sopa, ás famosas tripas á moda do Porto, tudo é excelente, e a tarte de maça, iguaria da casa, que delicia!

Depois do almoço, que tal ir de autocarro descapotável ver e ouvir a cidade com vários percursos para escolher. A paragem é junto ao Palácio da Bolsa, eu vou no percurso rosa, que vai pela costa até Matosinhos, pelas belas praias e esplanadas. O mar sempre na nossa rota, maravilhoso!

Passamos pela imponente Casa da Musica, linda e controversa, voltarei a falar dela mais tarde.

Brevemente continuarei a calcorrear a “Invicta”, para já apreciem este pequeno passeio, e aguardem noticias.

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S. Gonçalinho

Visitar Aveiro é ter a ria como fundo de toda a movimentação. É uma das belas cidades de Portugal, capital de distrito, localizada na Beira Litoral, a cerca de 70 km do Porto.

Desta vez a motivação foi a festa de S. Gonçalinho, também conhecida por festa das cavacas, que ocorre anualmente no fim-de-semana mais próximo do dia 10 de Janeiro. Esta tradição conta já 200 anos e terá sido inspirada por S. Gonçalo de Amarante, que costumava levar pão à Gafanha, zona para onde antigamente eram enviados os leprosos. Como a doença é altamente contagiosa, o santo colocava-se num sítio alto e atirava o pão.

Como tem fama de curandeiro de doenças ósseas, casamenteiro das velhas e resolução de problemas conjugais, muitos fiéis e romeiros vão pagar as promessas, atirando cavacas do corredor que circunda a cúpula da capela.

A multidão está em baixo, tentando apanhar os bolos secos – uns com guarda-chuvas abertos ou chapéus na mão, virados ao contrário. Alguns com camaroeiros na ponta de grandes varas, ou ainda outros, como eu, apelando à sorte e ao Santo ali venerado, que alguma cavaca traga a direcção das minhas mãos unidas em forma de concha. Já se vê que a pouca abrangência desta última maneira, não trará grande repasto.

Ouvi residentes daquela zona da Beira Mar e pessoas experimentadas, afirmarem que se conseguisse apanhar uma cavaca directa das alturas, portanto inteira, e a comesse toda de seguida, que um desejo pedido seria satisfeito. São estas lendas, passadas de geração em geração, que dão um encanto especial às nossas festas populares.

Este dia passado em Aveiro serviu também para conhecer melhor a cidade e uma das boas maneiras de o fazer é passear de barco pelos canais da ria.

Os moliceiros, coloridos, alegres, preenchem a ria ali no centro da cidade. A ponte, o Edifício dos Arcos ou da antiga capitania, o edifício arte nova, o café rocio, fazem parte também do centro histórico.

Noutros pontos da cidade, mas não menos importantes, estão a fábrica de cerâmica da Fonte Nova, antiga fábrica Campos, toda construída em barro vermelho, que é actualmente Centro Cultural e de Congressos, a avenida Lourenço Peixinho que desemboca na estação de caminhos-de-ferro. A estação ferroviária tem uma magnífica decoração de azulejos.

São 28 painéis monocromáticos, em tons de azul, todos da Fábrica Fonte Nova. A avenida Lourenço Peixinho é a zona comercial moderna com uma oferta variada. Comércio tradicional, hotel, bancos, residências e demais.

A Beira Litoral é uma zona magnífica do nosso país. Sugiro uma visita extensa e cuidada às várias atracções, bem como pelo diverso património, disponíveis em Aveiro.

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